terça-feira, 8 de junho de 2010
Está tudo ao contrário. Os ponteiros do relógio andam para trás, a noite dá lugar ao entardecer, e as nossas mãos que quase se tocavam estão agora novamente distantes. É uma luta sem regras esta a que percorremos. Eu tento alcançar-te e como se areia fosses escorres entre os meus dedos sem que eu te consiga agarrar. Então eu deito-me na praia e divirto-me a deixar-te escorrer por entre os dedos enquanto procuro a memória dos dias em que te segurei. Mas as memórias não vêm. Não pode haver memória de algo que nunca existiu. Não importa, ao tentar agarrar a areia eu sinto o seu calor e posso fingir que ele existiu. Este gesto banal que exerço desde criança toma novas conotações. Olho para a mão em que repousam ainda alguns grãos... Será que eles estão mesmo lá ou não passam de uma ilusão? Volto a agarrar uma mão-cheia de areia e atentamente vejo-a escorrer. Os segundos que demora parecem horas de tanto que eu me quero agarrar a cada grão. Fecho os olhos por um segundo e quando os reabro vejo apenas uma mão vazia... Fugiste novamente. De que serve voltar a tentar agarrar-te?
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