quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Desassossego

Deixa-me ouvir a tua voz, e sentir na pele esse calor que emanas
Porque o teu cheiro não me abandona, nem a lembrança do teu sorriso
Nesta paixão proibida, tu és o meu refugio,
tu que provocas este desassossego em mim por não seres meu,
provocas-me esta loucura e fazes-me delirar de amor e angústia.
Escondo este meu desejo de ti no lugar mais reservado do meu ser
Dissimulo gestos e palavras, ajo como se nada fosse.
Mas durante aqueles pequenos momentos juntos em que somos só nós
A ilusão de não haver limites toma contornos de sonho
E quando o sonho acaba o vazio preenche-me...
fico reduzida a um ser que ama em segredo
sem poder gritar o nome que lhe está tatuado na mente...




XOXO

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sobre "Cinema"

Cinema by Rodrigo Leão



e eu sou tudo para ti
essa tinta que te manchou
memória que perdura
e tu és tudo para mim
sorrisos que não cessam
um amanhecer eterno
e junto seremos o que o mundo não viu ainda
ser único, almas inseparáveis
de olhares infinitos
conversando pela vida fora
sê comigo o que jamais foste com alguém
entrega-me o que nunca entregaste a quem mais amavas
e jura que é para sempre,
eu juro que farei o mesmo.
porque és tu quem eu escolhi
e é este o momento em que me entrego
a ti, que me completas
que me levas mais longe
que me tornas mais forte
que me fazes feliz...

aceita-me.

XOXO

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sobre o 'Círculo Negro'

Kazimir Malévitch, Círculo Negro, 1923
Óleo sobre Tela, 105x105cm


Eu quebrei o teu olhar com esse som que era meu
e tudo o que o teu olhar via era uma bola preta,
não mais do que um círculo preto sobre o Nada pintado de branco.
Esse círculo não era mais do que um ponto final na nossa história,
nessa vida sem cor que levávamos, a olhar sem poder ver
e sentir apenas à flor da pele, sem que a emoção tocasse mais fundo.
Eras um negro que me manchava, que fazia parte de mim porque entre nós não haviam barreiras.
Porque ao fechar os olhos eras tu quem eu via.
E quando os reabri não foi um círculo negro que vi,
Foi um branco que me cegava com a sua luz,
que me magoava por ser algo de novo...
Algo que não seria mais do que o Nada se não fosse Tudo o que eu já alguma vez vira.
Esse ponto final na nossa história
não era mais do que um começo em branco da nossa vida.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Poema "em Bruto"

E então fechei o olhos e sorri.
Vi com a alma as cores que o vento me trazia
Senti o seu cheiro e memorizei a sua textura
Parecia seda a roçar na minha pele
Doce, carinhosa
Inspirei esse ar que tinha esse perfume que é teu
Que torna tudo mais alegre porque desperta os sentidos
E a lembrança desse corpo de criança adulta regressa
Percorrendo cada pedaço dessa pele salgada, as minhas mãos não encontravam descanso
O calor que ela emanava conseguia aquecer o meu corpo gelado
Do frio que me percorria da solidão que me invadia e que teimava em não me abandonar
Mas então chegaste e o frio foi desvanecendo tornado-se apenas uma leve aragem numa noite de verão
Dessas que nos arrepiam mas que sabem bem porque refrescam
E dão vontade de beber mais do que o necessário para saciar a sede
Um aroma que permanece nos meus lábios
Uma nota solta num piano num bar de jazz
Um odor que se entranha na minha pele e faz parte de mim
Um toque morno que dá alento
Um pôr do sol em tons violeta

Agridoce...

terça-feira, 8 de abril de 2008

The Unknown? Bring it on!

Subitamente ele entrou.
Hesitante e sem saber como agir, olhou em redor à procura de um espaço que se tornasse só dele.
Então sentou-se num pequeno sofá já gasto e começou a falar comigo.
Eu ouvia-o com a atenção de uma criança fascinada com esta nova pessoa que se lhe apresentava.
O seu nome sabia vagamente...mas o que era um nome para além de uma forma de o distinguir?
Seria o nome dele ou o seu semblante que me mostraria o seu interior?
Quem era esta nova personagem na minha vida? E deveria eu receá-la ou abrir os meus braços e nela confiar?

Confiança. Passamos uma vida inteira sem saber como lidar com ela.
Se por um lado não a entregamos assim do nada a alguém que surge com um sorriso, o facto é que à medida que vamos conhecendo cada vez melhor alguém, mais confiança lhe damos mas acima de tudo mais confiança lhe exigimos. Que provas precisamos nós para confiar? Será preciso ver para crer?
Mas mesmo ver... será isso o suficiente? Até que ponto a loucura e a confiança andam de mãos dadas?

Arriscar. Seria assim tão difícil? Dizer "estás aqui, quero que fiques a meu lado. fica!"

Ele parecia cada vez mais descontraído.
O sofá onde se sentara para comigo conversar já se moldava à sua figura...
Contava agora as suas histórias. Como quem partilha um doce nós partilhávamos a nossa vida.
Subitamente ele já não era um estranho. O seu nome já não era só uma forma de o distinguir. Ele tornara-se uma presença em mim.
A confiança agora já não era uma palavra difícil. Mesmo que discordássemos ele permanecia imóvel no seu sofá e eu não percebia porquê.
Mas secretamente agradecia este gesto seu. Tornara-se meu amigo.


E eu olhava-o fascinada sem conseguir ver nele o estranho que outrora definia o seu ser.

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Tu surgiste. E eu que esperava mil e uma coisas não esperava nada porque de repente tu eras tudo e nada do que eu imaginava.

Uns momentos antes alguém tinha perguntado: "Se A for amigo de B, e B for amigo de C, A é amigo de C?". Respondo que não...mas mentalmente penso "Talvez..."



Dorothy Harris: Are you coming along?
Young Forrest Gump: Mama said not to be taking rides from strangers.
Dorothy Harris: This is the bus to school.
Young Forrest Gump: I'm Forrest, Forrest Gump.
Dorothy Harris: I'm Dorothy Harris.
Young Forrest Gump: Well, now we ain't strangers anymore.

=)

XOXO