Ninguém te contou o fim da história, tal como ninguém te
explicou que ele se altera a cada gesto teu. Um dia acordaste e percebeste que
era o fim e não fazia mal. Não faz mal o que deixas para trás porque não é com
isso que construirás o futuro. E afinal, se a bola ficou do outro lado do campo
sem se mover, nada resta mais a fazer do que deixa-la estar e começar uma nova
partida.
O dia começou cinzento, talvez um prenúncio dos tempos que
viriam. Eu esperava pelo conforto de uma cara conhecida mas na realidade ainda
antes de lhe reconhecer as feições adivinhei-lhe a postura. Não me lembro que
palavras trocámos nesse primeiro encontro. Como de costume tinha poucas horas
de sono e já tinha atingido o estado de me mover apenas graças à adrenalina que
corria no meu corpo.
Ninguém te aconselhou a não cometeres os mesmos erros de
sempre, tal como ninguém precisou de te explicar que essa tarefa é tua. Um dia
acordaste e soubeste que tinhas cometido o mesmo erro de sempre, mas tiveste a
esperança de conseguir lidar com ele. Afinal quantas vezes precisamos de
cometer o mesmo erro para aprender a dar a volta sem nos magoarmos?
O sol começou então a brilhar e eu sorria. Durante algum
tempo tudo parecia fugir ao terrível destino a que aqueles erros me costumavam
conduzir. Tinha sido dessa vez que eu tinha enganado o destino e escapado
impune aos meus erros.
Ninguém te conseguiu demover face à tua arrogância, tal como
ninguém teve força de te puxar de novo à Terra – nem mesmo tu – quando todos sabíamos
que estavas prestes a cair… de novo.
O sol deixou de ser fonte de alegria para se tornar tão
forte que sufocava. Eu estava presa, enclausurada no meu próprio devaneio. A
ingenuidade trespassava-me o peito provocando grossas lágrimas. Dói sempre mais
quando não há ninguém para culpar senão nós mesmos.
Ninguém te soube confortar porque nem tu sabias o que doía,
tal como ninguém te conseguiu erguer, porque essa tarefa é só tua. Por isso
resta-me apenas dizer-te: ergue-te.
welcome :)
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